Este artigo apresenta os principais violonistas clássicos do século XX, destacando seus legados e a maneira como influenciaram gerações subsequentes de músicos.

O espanhol Andrés Segovia é, sem dúvida, a figura mais influente da história do violão clássico no século XX. Responsável por elevar o instrumento ao status de concerto, Segovia consolidou um repertório substancial por meio de transcrições de obras barrocas (especialmente de Bach) e da encomenda de composições originais a compositores como Manuel Ponce, Heitor Villa-Lobos, Mario Castelnuovo-Tedesco e Federico Moreno Torroba.
Sua abordagem técnica refinada, marcada por um timbre aveludado e articulação meticulosa, tornou-se referência. Mais do que um intérprete, Segovia foi um embaixador do violão, realizando turnês internacionais e estabelecendo uma linhagem pedagógica duradoura.

O britânico Julian Bream foi um dos primeiros a expandir os horizontes expressivos do violão clássico ao se aventurar também pelo alaúde renascentista e barroco. Bream desenvolveu uma sonoridade única, rica em nuances tímbricas e dinâmicas contrastantes, que lhe permitiu interpretar tanto repertórios antigos quanto obras contemporâneas com igual maestria.
Foi responsável por estimular a criação de novas obras para o instrumento, colaborando com Benjamin Britten, William Walton e Hans Werner Henze. Seu legado combina excelência interpretativa, ousadia estética e um profundo compromisso com a expansão do repertório.
Discípulo de Segovia e também britânico, John Williams tornou-se conhecido por sua precisão técnica e clareza interpretativa. Sua abordagem, mais objetiva e estruturada que a de seu mestre, conquistou ampla audiência, tornando-o um dos violonistas mais populares da história do instrumento.
Williams gravou extensivamente, desde obras consagradas do repertório canônico até arranjos de música folclórica e popular. Sua atuação também foi decisiva para a consolidação do violão em contextos educacionais e orquestrais, ampliando o alcance do instrumento para além do nicho tradicional.
O espanhol Narciso Yepes notabilizou-se por seu estilo interpretativo preciso e por sua inventividade técnica. Foi o criador do violão de dez cordas, projetado em colaboração com o luthier José Ramírez III, com o objetivo de ampliar a ressonância harmônica do instrumento.
Yepes é amplamente reconhecido por sua interpretação da música renascentista e barroca, bem como por sua célebre execução da “Romance Anônimo”, que alcançou grande popularidade após figurar no filme Jeux interdits (1952). Sua contribuição técnica e estética permanece relevante, sobretudo no estudo da policoralidade e da afinação harmônica.
Embora tenha tido uma carreira interrompida precocemente por sua morte prematura, a francesa Ida Presti é considerada uma das maiores violonistas do século. Ao lado de seu marido, Alexandre Lagoya, formou um dos mais aclamados duos de violão da história.
A técnica impecável de Presti, aliada a uma expressividade vibrante e um fraseado sofisticado, marcou profundamente o repertório camerístico do violão. Diversos compositores escreveram obras especialmente para o duo Presti-Lagoya, ampliando consideravelmente a literatura para dois violões.
O século XX foi um terreno fértil para o florescimento do violão clássico como instrumento de concerto, graças à atuação de intérpretes excepcionais. Cada um à sua maneira — Segovia como pioneiro, Bream como explorador, Williams como comunicador, Yepes como inovador e Presti como cameralista — contribuiu para consolidar o violão no cenário erudito internacional.
O legado desses artistas permanece vivo nas salas de concerto, nas escolas de música e nas gravações que continuam a inspirar músicos em todo o mundo. Estudar suas trajetórias é, portanto, não apenas um exercício de apreciação histórica, mas também uma fonte de aprendizado técnico e interpretativo para violonistas de todas as gerações.