Este artigo examina como as obras renascentistas foram incorporadas ao repertório violonístico moderno, destacando compositores, estilos e peças fundamentais para estudantes e intérpretes.
Durante o Renascimento, não existia ainda o violão na forma moderna. Os instrumentos de cordas dedilhadas predominantes eram o alaúde (lute), a vihuela e, em menor escala, a guitarra renascentista. Cada um deles possuía características próprias de afinação, número de cordas e notação. A música escrita para esses instrumentos representa hoje uma das fontes mais ricas de repertório adaptável ao violão clássico.
O movimento de resgate desse repertório começou a ganhar força no século XX, sobretudo com intérpretes e musicólogos que buscaram ampliar a literatura violonística além dos séculos XVIII e XIX. Artistas como Julian Bream, John Williams e Hopkinson Smith, embora mais ligados ao alaúde em sua forma original, influenciaram gerações de violonistas a explorar esse universo.
As transcrições, nesse contexto, desempenham papel essencial. Com adaptações cuidadosas que respeitam os limites e as possibilidades do violão moderno, essas versões oferecem uma ponte entre o passado e o presente, permitindo que intérpretes acessem obras de grande valor musical e histórico.
A seguir, apresentamos uma seleção de compositores e obras representativas do Renascimento, frequentemente interpretadas no violão clássico contemporâneo.
Milán foi um dos primeiros compositores a publicar música para vihuela. Sua coletânea “El Maestro” (1536) é uma das mais importantes fontes renascentistas para cordas dedilhadas.
Obra recomendada:
Contemporâneo de Milán, Narváez publicou a célebre coleção “Los seys libros del Delphin” (1538), que inclui variações, fantasias e adaptações de obras vocais.
Obras recomendadas:
Um dos mais expressivos compositores ingleses do Renascimento, Dowland escreveu música melancólica e refinada para alaúde, muitas vezes transcrita para violão.
Obras recomendadas:
Apelidado de “Il Divino”, Milano foi um mestre da fantasia instrumental para alaúde. Suas obras apresentam polifonia sutil e grande apelo introspectivo.
Obras recomendadas:
Compositor e editor francês, Le Roy escreveu para a guitarra renascentista e o alaúde, oferecendo obras mais leves e dançantes, adequadas para níveis intermediários.
Obras recomendadas:
Ao abordar o repertório renascentista no violão, é essencial considerar aspectos estilísticos próprios da época:
A prática com técnicas de redução (voicing), equilíbrio entre vozes e clareza rítmica é fundamental para uma performance historicamente informada, ainda que adaptada ao violão moderno.
O repertório do Renascimento constitui um dos pilares da literatura para violão clássico, não apenas por sua beleza e profundidade musical, mas também por oferecer ao intérprete um contato direto com as raízes da música polifônica. Por meio de transcrições criteriosas e da sensibilidade interpretativa, violonistas de todos os níveis podem explorar esse legado inestimável. Seja como material de estudo ou como parte de programas de concerto, essas obras continuam a enriquecer o repertório violonístico e a inspirar novas gerações de músicos.